Valdivino de Oliveira chegou a dizer que William era
a maior contratação da história do Atlético-GO
(Foto: Kaiê Oliveira/Atlético-GO)
É difícil achar explicações para a fase do Atlético-GO. Em tese a diretoria havia feito boas contratações. O próprio presidente Valdivino José de Oliveira afirmou no início do ano que o atacante William era o maior reforço da história do Dragão. Além do jogador, Elias e Fernando Bob chegaram com grande cartaz a Goiânia. O tamanho da expectativa criada é o mesmo da frustração da comunidade rubro-negra, que pela primeira vez desde 2003/2004 fica dez jogos seguidos sem conquistar nenhuma vitória.
O problema? A hipótese mais aceita no clube é a baixa autoestima após os fracassos da temporada. Embora não tenha convencido em 2012, o Atlético-GO foi competitivo durante o Campeonato Goiano e conquistou o vice-campeonato após dois empates contra o Goiás. Na Copa do Brasil, a campanha não foi a dos sonhos, mas o time foi eliminado pela Ponte Preta, uma rival da Série A, nas cobranças de pênalti. GLOBOESPORTE.COM traz um apanhado de declarações de membros do Atlético-GO, que creditam a má fase ao aspecto psicológico.
- Eu queria muito bem chegar aqui e falar qual é o problema. Assim todos iriam parar de perguntar o que está acontecendo. Mas não posso fazer isso porque simplesmente não há problema. Nossa questão é psicológica. Nosso grupo conta com jogadores com o mesmo perfil. Precisamos de mais energia em campo. A equipe foi muito apática contra o Náutico, todos viram – disse o diretor de futebol, Adson Batista.
Em sua despedida, Hélio disse que se sentia 'humilhado' (Foto: Cristiano Borges / O Popular)
Hélio dos Anjos voltou com a missão de recuperar a competitividade da equipe, mas sucumbiu em seis derrotas seguidas e deixou o clube. Antes de sair, o treinador afirmou que se sentia ‘humilhado’ com os resultados e que o grupo estava ‘apático’.
O interino Jairo Araújo foi na mesma linha. Não há, segundo o treinador, muito que fazer apesar das seis derrotas seguidas. Em sua primeira entrevista como comandante após o revés para o Náutico, Jairo logo afirmou em que aspecto o Atlético-GO mais peca no campeonato até agora.
Jairo Araújo aparece novamente como 'bombeiro'
do time (Foto: Divulgação/Atlético-GO)
- Não adianta eu chegar aqui e querer mudar tudo. Não há nada o que fazer taticamente. Temos que elevar a autoestima do grupo, estão todos abatidos com as derrotas. Mas todos que estão aqui têm qualidades. No ano passado fizemos uma boa campanha. Quem foi contratado, não chegou aqui porque é ruim, e sim porque mostrou valor. É questão de recuperar a confiança.
O Dragão já teve três técnicos diferentes em 2012. O clube começou com Hélio dos Anjos, que deixou o cargo após divergências entre o preparador físico Lauro Martins e a diretoria, em março. Jairo assumiu a equipe antes da chegada de Adilson Batista, que foi demitido por causa do futebol 'burocrático', segundo a diretoria, mesmo com apenas uma derrota. Hélio voltou novamente com seu estilo enérgico, mas somou seis derrotas em seis jogos. Situação ruim, psicológico pior ainda.
- É difícil até sair de casa. O futebol mexe com as pessoas. O emocional atrapalha muito quando você não está em um bom momento. Nunca passei por isso na minha carreira – destaca Joilson.
- Todo mundo está com vergonha. Não conseguimos nenhuma vitória ainda. Fui para casa no final de semana e foi difícil até conversar sobre futebol com a família – revela o atacante Wesley.
Neste domingo, o Dragão, lanterna da Série A com dois pontos, visita do Vasco, em São Januário. O volante Pituca, que está no clube desde 2006, afirma que o Atlético-GO não pode entregar os pontos.
- Temos uma base do ano passado, mas não estamos conseguindo somar os resultados. A gente mesmo se pergunta o que está acontecendo. Mas há tempo para reagir. Não podemos ser rebaixados logo nas 15 primeiras rodadas.
O jogador nega ainda que haja problemas de relacionamento no grupo atleticano.
- Não existe isso aqui. O problema é a falta de confiança mesmo. Não é fácil perder seis jogos seguidos e recuperar a autoestima. Mas não temos problemas internos. Não há jogador 'bandido' no clube. Se tivesse alguém desse jeito aqui, nós já teríamos o tirado do grupo.
Pituca disputa jogada com Gabriel, do Grêmio, em jogo que iniciou a série de seis derrotas seguidas do Atlético-GO (Foto: Randes Nunes/Foto Arena/Agência Estado)
Desde 2005, a trajetória do Dragão tem sido de plena recuperação. O clube estava na segunda divisão do Campeonato Goiano, mas conseguiu se reestruturar. Está é a segunda grande crise pela qual o clube passa desde então, mas já é a maior sequência sem vitórias. Em 2007, quando não conseguiu o acesso para a Série B do Brasileiro pelo segundo ano seguido, o clima no Atlético-GO era de muito abatimento. No entanto, os goianos foram campeões da terceira divisão no ano seguinte e subiram para a elite do futebol nacional em 2009.
Na Série A, o Rubro-Negro se limitou a brigar contra o rebaixamento, apesar de ter tido boa arrancada no ano passado e conquistado vaga na Copa Sul-Americana. Mesmo com as campanhas modestas na Série A, o Atlético-GO havia, pelo menos, sido campeão estadual nas duas últimas temporadas, fato que não se repetiu em 2012.
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