Após uma marcante passagem pelo Cruzeiro, entre 2008 e 2010, na qual foi bicampeão mineiro, Adilson Batista nunca mais encontrou um clube com o qual conseguisse criar uma identidade. Passou por Corinthians, Santos, Atlético-PR, São Paulo e Atlético-GO, alternando dispensas e demissões. Contratado pelo Figueirense após seis meses afastado dos gramados, o treinador mantém, contudo, a posição crítica à cultura do futebol brasileiro em culpar técnicos pelo mau desempenho de suas equipes.
- Eu fui mandado embora do Atlético-GO, por questão de resultado, pela diretoria. Minha intenção era completar o ano no clube. Mas, infelizmente, aqui no Brasil, a gente tem essa mentalidade do resultado. Na primeira dificuldade, sempre sobra para nós treinadores - disse o técnico, em entrevista ao .
Na primeira dificuldade, sempre sobra para nós treinadores"
Adílson Batista
No Cruzeiro, Adílson permaneceu dois anos e meio e tornou-se o oitavo técnico que mais dirigiu o time em seus 89 anos de história. Foram 170 jogos, com 97 vitórias, 34 empates e 39 derrotas. Neste período, levou a Celeste à disputa de duas edições da Taça Libertadores (2009 e 2010). Ao ser demitido do Dragão, que comandou por apenas 10 jogos, entre abril e maio de 2012, o treinador decidiu passar por um período de "reciclagem" com cursos voltados para técnicos.
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No Figueirense, clube que comandou em 2005 e 2006 e foi campeão catarinense (2006), Adílson foi anunciado em novembro do ano passado, quando o time já visualizava o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro de 2013. Tendo assumido em janeiro deste ano, o novo treinador espera reeditar o sucesso de seis anos atrás, mas sem esquecer o que considera ser um novo tipo de relacionamento entre jogador e técnico.
Adilson Batista, técnico do Figueirense
(Foto: Luiz Henrique, divulgação / FFC)
- Hoje mudou. Os interesses, a mídia, a velocidade, o acesso, a informação. Os jogadores têm mais gente (para auxiliar). Antigamente, a gente tinha muito respeito e jogava pelo treinador também. Os interesses hoje são outros. Precisamos ter discernimento para levarmos eles para o nosso lado e fazer com que eles cresçam - disse o ex-zagueiro, que atuou por equipes como Grêmio, Cruzeiro, Internacional e Corinthians.
Adílson, contudo, afirmou ter tirado lições de sua trajetória recente. Independente de não ter se firmado nos clubes pelos quais passou, o treinador garante ter tido o seu trabalho reconhecido.
- Se você consultar os profissionais com os quais eu trabalhei eles vão me elogiar. O Andrés e (ex-presidente do Corinthians) o Mário (Gobbi, atual presidente do Timão) gostam de mim, mas foi resultado. No Santos, foi uma derrota só. São decisões que cabem a eles, e eu tenho que respeitar, sou funcionário. É um aprendizado, é enriquecedor para a sua carreira - disse.
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