sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Fisioterapeuta retruca críticas de Valdivino: 'Trabalhamos com ciência'

A declaração do presidente do Atlético-GO, Valdivino de Oliveira, de que alguns jogadores do clube são “chinelinhos”, continua rendendo no clube. Após o goleiro e capitão Márcio rebater tais críticas, foi a vez do fisioterapeuta do clube Robson Porto discordar da opinião do dirigente máximo atleticano. Com inúmeros argumentos técnicos, Porto rechaçou a alcunha dada por Valdivino aos atletas que estão no departamento médico rubro-negro, e revelou vários problemas que o Dragão enfrentou na temporada em relação ao assunto.

- Dentro dos jogadores que tenho dentro do departamento médico, há uma seriedade muito grande.

Ao avaliar o comentário do presidente atleticano, Robson Porto destacou um grande obstáculo enfrentado pelo Atlético-GO na temporada: a falta de comunicação entre os departamentos do clube. Segundo ele, Valdivino provavelmente não sabe como funciona o trabalho dos médicos, fisioterapeutas e fisiologistas do clube.

Apesar de defender seus “pacientes”, e discordar do presidente atleticano, Porto admite que o Dragão tem sofrido muito com as lesões. De acordo com o fisioterapeuta, já foram 436 reclamações dos jogadores, seja de dor muscular, entorse, ou qualquer tipo de adversidade clínica apenas em 2012. É quase o dobro das reclamações de agosto de 2010 ao fim de 2011. No entanto, o maior problema foi o fim de um trabalho preventivo que era feito pelo clube, mas que foi extinto com a chegada do preparador físico Flávio Trevisan, que atualmente já não está mais no Atlético-GO. Confira as explicações de Robson Porto.

Talvez o presidente não tinha conhecimento do que se passa no departamento médico, talvez, para dar tal entrevista, ele não tinha conhecimento dos números que a gente tem. Foram lesões sérias"

Robson Porto, fisioterapeuta do Atlético-GO

A declaração de Valdivino de Oliveira

- Dentro dos jogadores que tenho dentro do departamento médico, há uma seriedade muito grande e comprometimento muito grande com o trabalho, acho que quando surgiu essa entrevista.Talvez o presidente não tinha conhecimento do que se passa no departamento médico, talvez, para dar tal entrevista, ele não tinha conhecimento dos números que a gente tem. Foram lesões sérias. A dificuldade maior do departamento médico esse ano foi a gravidade das lesões. Não sei em que teor chegou essa situação de “chinelinho”, mas se foi em relação ao departamento médico, em relação ao tempo de lesões, posso dizer que as lesões que estão demorando são lesões graves, que poderiam até afastar o atleta da prática do futebol, encerrar uma carreira. Essas lesões estão sendo cuidadas, tentando preservar o clube, o atleta, e quando não temos recursos aqui, a gente tenta buscar fora para que possamos oferecer o melhor para o clube e para o atleta.

Robson Porto, fisioterapeuta do Atlético-GO (Foto: O Popular)Robson Porto: revelou que, somente em 2012, houve
436 reclamações de dor no Atlético-GO (Foto:
O Popular)

A falta de comunicação entre os departamentos

- O departamento médico do Atlético-GO trabalha com ciência, e em cima disso a gente trabalha com dados estatísticos. Tudo que acontece lá dentro é registrado, é um sistema de monitoramento que foi implantado na época do treinador René Simões, para que a gente pudesse identificar as lesões, onde as lesões estavam acontecendo, e em cima disso criar métodos de intervenção. Para sair uma notícia dessas – declaração de Valdivino –, provavelmente faltam informações. Acho que foi um dos principais problemas nossos esse ano, foi essa falta de comunicação entre os departamentos, porque todos os atletas que estão no departamento médico são atletas que estão realmente lesionados. Isso não de forma aleatória, nós temos dados, temos exames que compravam que os jogadores realmente estão machucados. Hoje em lugar nenhum você consegue trabalhar sozinho, principalmente no futebol. É preciso uma intercomunicação muito grande, principalmente de setores diferentes. Já no departamento médico você não tem um entrosamento muito grande, é preciso ter entrosamento com os outros. Isso inclui fisiologia, nutrição, fisioterapia, preparação física, essas pessoas têm que trabalhar em conjunto principalmente em termos de informações.

Felipe, atacante do Atlético-GO (Foto: Divulgação/Atletico-GO)Felipe já teve oito lesões na temporada (Foto:
Divulgação/Atletico-GO)

O trabalho de fisioterapia preventiva

- Esse ano a gente superou o índice de reclamações no departamento médico. Até hoje foram 436 reclamações. É quase que o dobro de reclamações nos últimos dois anos de funcionamento desse departamento médico. É uma incidência muito grande de reclamações, consequentemente uma incidência muito grande de lesões também, e isso foi consequência da extinção do trabalho de fisioterapia preventiva que havia no Atlético. Esse trabalho começava com avaliação do jogador assim que ele chegasse no Atlético. Era diagnosticado equilíbrio de força, biomecânica e flexibilidade, assim que diagnosticado esse atleta era obrigado a passar no departamento médico durante os treinamentos para que fizesse um trabalho de reforço muscular. Por consequência de troca de comissão técnica esse trabalho foi retirado. Todo trabalho preventivo que era feito no Atlético-GO foi retirado. Isso foi um ponto culminante para que chegássemos nessa situação. O grande responsável por acabar esse trabalho foi o Dr. Flávio Trevisan, preparador físico. Ele simplesmente foi assumindo o trabalho. Ele não passava as informações para a fisioterapia.

Leonardo, zagueiro do Atlético-GO (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Leonardo chegou a se tratar no Santos e já está
perto de voltar (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Os casos de Leonardo e Felipe

- O Leonardo teve uma lesão de posterior de coxa, foram feitos seis exames, desses quatro ressonâncias, e dois ultrassons, todos indicavam que era em uma lesão próxima do joelho, e durante quatro meses esse atleta foi tratado nesse local. Só que o jogador voltava a sentir dor. Depois foi feita uma ressonância magnética mais minuciosa e foi constatada 70% ruptura de um tendão, e 90% ruptura de um outro tendão. Ele estava quase perdendo o músculo total. Ele foi encaminhado ao Santos, e foi proposto que fizesse um acompanhamento isocinético e acompanhamento no próprio Santos. O Leonardo já voltou, junto com o próprio fisioterapeuta do Santos, e hoje ele já está em processo de transição para ter retorno de jogo. O Felipe teve oito lesões esse ano, foram várias vezes explicadas que a situação dele é diferente, é um atleta que tem dificuldade de recuperação de um jogo para o outro, e que infelizmente foi um atleta que se lesionou na pré-temporada. Ele não fez um trabalho de base bem feito para suportar toda a carga durante o campeonato todo, e consequentemente isso trouxe outras lesões.



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