O secretário de Segurança Pública de Goiás, Joaquim Mesquita, esteve na Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia, e falou sobre os próximos passos a serem dados durante as investigações sobre o assassinato do cronista esportivo Valério Luiz. Na tarde do último sábado, a Polícia Civil prendeu o empresário e ex-vice-presidente do Atlético-GO, Maurício Sampaio, suspeito de ser o principal mandante do assassinato. O interrogatório do suspeito está previsto para a manhã desta segunda-feira.
- Nós vamos agora aos interrogatórios e as análises dos materiais apreendidos durante as buscas, análises de vínculo, enfim, análises de extrato de ligações telefônicas, de dados e registros de informações, que vão permitir a conclusão das investigações e o encaminhamento do caso ao Poder Judiciário - diz Joaquim Mesquita.
O G1 tenta contato com a defesa de Maurício Sampaio. Procurado pela reportagem do G1, o irmão do empresário não quis comentar o assunto.
No sábado, a polícia também apreendeu novos objetos para complementar as investigações. Uma moto e um capacete foram levados para a delegacia e podem ter sido usados pelo atirador na hora do crime. A arma usada na execução ainda não foi encontrada.
- Ex-dirigente do Atlético-GO é preso pela morte de cronista esportivo
- Polícia prende três suspeitos de
matar cronista esportivo em Goiânia - Ainda sem solução, assassinato de
Valério Luiz completa seis meses - Caso Valério: Sampaio depõe por três
horas na Delegacia de Homicídios - Perdi meu filho para o futebol', diz pai
de radialista assassinado em GO - Comentarista esportivo é morto a tiros
na porta de rádio, em Goiânia
O ex-vice-presidente do Atlético foi alvo de duras críticas de Valério Luiz. Nos programas de rádio e de televisão dos quais participava, o cronista criticou várias vezes a atuação da diretoria atleticana. As emissoras onde ele trabalhava, inclusive, estavam proibidas de entrar na sede do clube.
De acordo com o delegado da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) Hellyton Carvalho, um dos responsáveis pela investigação, a prisão de Maurício Sampaio foi motivada pelo depoimento de um dos três suspeitos de executarem o crime. Um açougueiro, um policial militar e um suposto funcionário de Maurício Sampaio foram presos na manhã da última sexta-feira. De acordo com a polícia, o açogueiro confessou ter atirado no cronista.
O delegado afirmou que o açougueiro forneceu informações importantes que apontam o ex-vice-presidente como o principal mandante da execução.
- Nesse momento, ele realmente é o principal suspeito de ser o mandante. E, se for confirmada essa participação, ele irá responder sob prisão provisória até a decisão da Justiça. Não podemos dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações - declara o delegado.
Segundo a Polícia Civil, Maurício Sampaio está detido em uma cela especial na Delegacia de Investigação de Homicídios, onde deve prestar esclarecimentos na próxima segunda.
Valério Luiz foi morto a tiros em julho de 2012
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
- Ele nega participação no crime, mas estamos investigando o caso para concluí-lo o mais rápido possível - enfatiza o delegado Hellyton Carvalho.
Em agosto do ano passado, o ex-dirigente do Atlético-GO prestou depoimento sobre o caso e negou relação com o assassinato.
- O depoimento dele acrescentou muito nas investigações. Ele disse que tomou conhecimento do assassinato através da imprensa e que não tinha nenhuma relação com ele. Ele estava tranquilo, calmo, e foi chamado aqui só como testemunha mesmo. Nós o chamamos pelos comentários que o Valério fazia e pela carta que foi endereçada aos veículos onde Valério trabalhava - explicou, na época, a delegada Adriana Ribeiro.
Execução
O radialista Valério Luiz, de 49 anos, filho do também comentarista esportivo Manoel de Oliveira, conhecido como Mané de Oliveira, foi assassinado, na tarde do dia 5 de julho do ano passado, quando saía da rádio onde trabalhava, na Rua C-38, Setor Serrinha, em Goiânia. Segundo as investigações, uma moto se aproximou e disparou seis tiros contra a vítima.
Valério chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O cronista esportivo faria 50 anos no último mês de dezembro.
Prisões
De acordo com a delegada Flávia Andrade, da Delegacia Investigações de Homicídios, na linha de participação na morte do cronista esportivo estão o executor e o homem que teria contratado o serviço. A terceira pessoa presa na sexta-feira é um policial militar suspeito de atrapalhar as investigações. Detido na Academia da Polícia Militar (PM), durante o depoimento, ele preferiu não se pronunciar.
Na sexta, a polícia não havia divulgado oficialmente o nome do suspeito de encomendar o homicídio.
Preso no último sábado, Maurício Sampaio prestou depoimento em agosto de 2012
(Foto: Diomício Gomes/O Popular)
- Com relação ao mandante do crime, a gente tem informação passada pelo açougueiro apenas de que o contratante comentou com ele que o crime havia sido encomendado pelo patrão, porém sem citar nomes - explicou a delegada.
O homem suspeito de contratar o açougueiro a mando do patrão prestou depoimento na sexta e negou participação no crime. Questionado se trabalhava para um ex-dirigente do Atlético-GO, respondeu que não.
À polícia, o suspeito de contratar o homem que teria atirado em Valério Luiz contou que mora na casa do ex-vice-presidente do Atlético-GO, Maurício Sampaio, mas não como funcionário e sim devido a uma relação de amizade. O imóvel, no Setor Serrinha, fica quase em frente à Rádio Jornal 820 AM, onde Valério trabalhava, e próximo à cena do crime.
De acordo com promotor do Ministério Público Paulo Santos, que acompanhou o depoimento, ele não paga aluguel para morar na casa, situada em uma das regiões mais nobres de Goiânia.
- Ele cuida das piscinas e disse que tantos os caminhões dele quanto os caminhões do Maurício ficam lá - relatou.
Flávia Andrade confirmou o fato de o preso morar quase em frente à cena do crime.
- O suspeito, por ter uma relação íntima de amizade e negociação com Maurício Sampaio, ficava na casa, não pagava aluguel e tomava conta da propriedade - afirmou a delegada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário